Reflexão

A distância que pomos entre nós não será responsável da nossa improdutividade?

Luis Morgadinho Co-fundador da Comunidade Portuguesa Elemento Humano

O último Inquérito Social Europeu revela que Portugal é um dos países europeus onde os cidadãos menos confiam nos outros. Em todo o continente, piores que nós só mesmo Chipre, a Antiga Republica da Macedónia, a Letónia, a Bulgária e a Grécia. Esta notícia foi publicada em Novembro de 2008 em vários jornais, nomeadamente no Público, mas não teve qualquer impacto. Tudo se passou como se o facto de descobrirmos que não somos o povo "aberto" que pensamos ser não fosse uma informação digna de interesse. Na realidade, se pararmos um instante para ouvir o que este estudo nos diz, estas estatísticas explicam muito sobre a nossa cultura empresarial e poderá até explicar porque é que não conseguimos atingir os níveis de produtividade dos nossos vizinhos, amigos e....concorrentes europeus.

 

Resistência cultural à mudança....

 

É frequente ouvir que Portugal é um país com forte resistência cultural à mudança e que as empresas nacionais têm mais dificuldades em antecipar o futuro do que os seus vizinhos europeus. Renunciar ao passado, perder velhos hábitos, mudar para novos modos de funcionamento é sempre um momento de angústia mas não será isso válido em todas as organizações seja qual for o país? Todas as empresas enfrentam resistências quando se trata por exemplo de lançar um novo projecto ou implementar uma reorganização. Existem travões que geram importantes perdas financeiras, de oportunidades ou mesmo de competitividade e isso não é segredo para ninguém. Os factos mostram aliás que as empresas nacionais têm plena consciência que nada pode ser alcançado sem investir no capital humano e é por saberem que muitas barreiras têm que ser quebradas para criar condições favoráveis à criatividade, comprometimento, confiança e trabalho em equipa, que têm investido de forma crescente na área do desenvolvimento pessoal, seja através de formações comportamentais ou recorrendo ao coaching.

 

Se a resistência à mudança não é uma especificidade cultural, o que prejudica então, de forma tão estrutural, a nossa produtividade, sendo esta infelizmente uma particularidade nacional. Na sua obra publicada nos Estados Unidos em 1994 "The Human Element: Productivity, Self-Esteem and Bottom Line (O Elemento Humano: Produtividade, Auto-Estima e Resultado de Exploração), o psicólogo americano Will Schutz traz-nos dados esclarecedores descrevendo a ligação directa que existe entre a auto-estima, a confiança dos colaboradores e a produtividade das organizações.

 

..ou incapacidade cultural em confiarmos uns nos outros?

 

A tese central de Will Schutz é que o nível de abertura, humanidade e de confiança entre os indivíduos condiciona não somente a saúde mental e física dos colaboradores mas também o nível de produtividade das empresas. A base teórica desenvolvida pelo Will Schutz e o papel determinante que atribui à abertura (autenticidade) em oposição ao secretismo ganha um teor muito particular na nossa cultura onde o "segredo é a alma do negócio".

 

A qualidade dos relacionamentos que existem dentro de uma organização afecta directamente a sua produtividade. Quando os indivíduos não confiam nos outros tornam-se defensivos e qualquer ambição ou projecto colectivo pode ser posto em perigo por atitudes defensivas ou por desentendimentos entre indivíduos.

 

Se a produtividade das organizações depende directamente da capacidade dos seus membros em confiarem uns nos outros, em colaborarem de forma produtiva e se as conclusões do Inquérito Social Europeu forem verdadeiras então a nossa falta de confiança interpessoal prejudica directamente a nossa produtividade.

 

Será portanto mais difícil, para nós, criar ambientes de trabalho baseados na confiança e no comprometimento do que la fora porque contrariamente ao que se diz por cá a "confiança" é que é a alma do negócio, não o "segredo".

Aprodunde o tema com humor

A Liderança do Pai Natal

 

O Pai Natal é um excelente Líder. Tem conhecimento dos resultados do Inquérito Social Europeu e sabe que os portugueses são "desconfiados". Por motivos de rentabilidade tem que deslocalizar as suas actividades e abandonar a Lapónia. Será Portugal um país atractivo para os seus investimentos? O que é que ele faria para que os duendes portugueses sejam mais produtivos? Porque é que ele dá tanta importância à auto-estima da sua equipa?...

A Liderança do Pai Natal
Directório dos Recursos Humanos 2009
A Liderança do Pai Natal.pdf
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Saiba tudo sobre o European Quality of Life Survey

Conheça os resultados do inquérito do Eurofond em detalhe em www.eurofound.europa.eu .

 

 

 

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